Três coisas que fiz ao completar 33 anos

alphabet-balloons-birthday-1271134

Imagem: pexel

Trinta e três. Essas palavras chegam a sair quadradas da boca. Ontem completei 33 anos. Não sou de comemorar, e esse ano não foi diferente. Passei quietinha, com minha família e fazendo coisinhas que eu gosto. Confesso que mesmo não fazendo nada de especial, meu fim de semana foi um dos mais especiais que tive. E neste post, vou falar de três coisas que fiz ao completar 33 anos!

  1. Comi várias comidas que eu amo. No sábado, desde que acordei, só comi coisas que amo: café com biscoito de polvilho… almocei peixe e pirão… comprei um picolé de coco… jantei caldo verde… quer coisa melhor que comer coisas que você ama?
  2. Assisti um documentário que me fez refletir sobre a vida e as relações. Logo de manhã resolvi assistir um documentário que fala sobre o Manicômio de Barbacena, cidade de Minas Gerais. Esse documentário, chamado “Holocausto Brasileiro”, conta detalhadamente como esse hospital se culminou em uma das tragédias mais bizarras do Brasil. É extremamente triste e tocante. Me fez refletir sobre as relações e em como nós humanos conseguimos ser tão cruéis com os nossos iguais.
  3. Aproveitei o dia com minha família. Saí para bater perna com a minha mãe de manhã, almocei com papai e vovó, e a tarde fiquei com meu amor, minha filhotinha e meu janjão, o cão. Não fizemos nada de especial. Só nos divertimos comendo pipoca e fazendo carinho no janjão.

A cada ano que passa eu tenho menos vontade de comemorar e mais vontade de aproveitar as coisas simples. São tão mais legais.

 

Anúncios

10 coisas para você, pessoa branca, refletir sobre as questões raciais

f4981b194aa886974cc28a3002b5398d

Foto: Pinterest

Hoje é dia 13 de maio de 2018. Exatamente 130 anos de “abolição” da escravatura no Brasil. Esse dia está de longe de ser um dia de comemorações porque falta ainda milhões de anos para evoluir a questão racial no Brasil. Por isso, resolvi escrever 10 coisas para te fazer refletir (principalmente se for uma pessoa branca) um pouco sobre o assunto:

  1. A escravidão não findou em 1888. A minha querida Isabel, assinou um documento e pluft: a escravidão acabou! Os negros estão livres para fazer o que quiser! Mas como? Sem casa? Sem família? Sem posses? Sem estudos?
  2. O preto não foi visto com um igual pela sociedade a partir de 1888. A escravidão pode ter terminado no papel. Mas, você acha que a sociedade na época gostaria de trabalhar como um igual ao lado de pretos? Que seus filhos estudassem com pretos? Que algum preto morasse na casa ao lado?
  3. Mas vocês vivem de passado! Já parou para pensar que se você dividir esses 130 anos em gerações de 25 anos, estaremos entrando na sexta geração? E que na melhor das hipóteses (que provavelmente não foi a realidade), levamos uma geração para a sociedade “aceitar” o negro como cidadão? Então, se fosse esse caso, a gente só começou nossa vida em 1928, praticamente na geração da minha avó e da sua também! Isso é praticamente ontem!
  4. Mas os pretos tem a mesma capacidade que os brancos! Concordo. Desde que estejam nas mesmas condições temperatura e pressão, né? Já parou para pensar que seus antepassados brancos tiveram a possibilidade de estudar desde sempre, enquanto os negros só começaram a pensar na possibilidade à partir de 1888 (de novo: na melhor das hipóteses!!!)? Os brancos tem no mínimo 300 anos de estudo à frente dos negros. Pensa no tamanho da bola de neve que isso se transformou passando pelas gerações… Lembre-se: a cota não é para o cara que “não quer nada com nada”. Mas, para aquele cara que mesmo tirando 10 na escola pública não consegue chegar ao 8 da escola particular de ponta e para aquele que tem seu acesso dificultado nos espaços frequentados pela elite intelectual e econômica, apenas pela sua cor.
  5. Mas os próprios negros são racistas com eles mesmos! Vem cá… pensa rapidinho aqui comigo… em todo esse tempo de  Brasil, o que de bom foi associado aos negros? Sempre fomos fadados à cozinha, aos trabalhos de base e os lugares sem visibilidade. Quinhentos anos de anulação e você quer que a maioria das pessoas negras tenham vontade de ser algo que sempre foi visto como coisa ruim? É um processo árduo para desconstruir o que foi construído nesses 518 anos.
  6. Mas eu sou pobre e sou branco! Ser branco não te coloca automaticamente dentro da classe social mais abastada. Mas, é importante você entender que por mais pobre que você seja, o seu privilégio social te coloca na frente do pobre preto. Por que? Em uma entrevista de emprego, a sua aparência física será mais considerada que a do preto. Fora que não podemos medir uma realidade social individualmente. Eu mesma, tenho curso superior, pós-graduação, sempre estudei em escolas particulares e tive acesso a cursos, como ballet, inglês etc, e sou preta. Mas, eu sou um ponto fora da curva. A maioria das pessoas que tem acesso a essas coisas são brancas. Assim como existem sim, pessoas brancas muito pobres. Mas, também são pontos fora da curva.
  7. Mas eu não sou racista! Tenho vários amigos negros! Beleza, mas já namorou uma menina ou menino negro? E se namorou, ficou apreensivo ao apresentar a pessoa para a sua família?
  8. Que saco! Esses militantes ficam esfregando a cultura negra na nossa cara o tempo todo. Sim, eu não sou militante e as vezes acho chato também (mesmo sendo negra). Mas já parou para pensar que a cultura européia sempre foi esfregada na nossa cara e a gente nunca reclamou? Aliás, a gente acha que lá é muito melhor do que cá, né? Então, por que meia dúzia de pessoas mostrando algo fora disso incomoda tanto? Já parou pra refletir sobre isso?
  9. Ah Morena, você fala isso tudo, mas nem anda com pretos. Mas por que será né? Eu estudei em escolas particulares desde criancinha (maioria branca), fiz ballet e jazz em academia paga (maioria branca), fiz curso de inglês (maioria branca), fiz universidade pública (maioria branca, e os cinco negros que tinham dentro da minha sala, foi por cota, inclusive eu), sou engenheira e trabalhei em um grande projeto (maioria branca nos cargos mais altos)… e por aí vai! Em todos os lugares que passei, eu sempre era uma das poucas pessoas negras do lugar. Quanto mais o negro vai conseguindo ascender socialmente, mais embranquecendo vai ficando ao seu redor. Já parou pra pensar no porquê disso?
  10. Não sei que tanto privilégios são esses que você fala, se até agora eu não vi privilégio nenhum.  Dando um exemplo rápido: quando uma pessoa branca está dirigindo um Honda Civic, é só mais um dirigindo um carro. Quando um preto está dirigindo esse mesmo carro, possivelmente é o cara que o lavou e está indo devolver, ou então só pode ser traficante. Crianças pretas tem menos chances de serem adotadas que brancas… Se uma pessoa branca entrar numa loja, ela não será seguida… Não lembro de muitas referências negras na TV quando eu era criança. Minha referência de beleza era a Sandy. Era a pessoa mais próxima a mim (ela tinha cabelos pretos). As outras artistas que eu gostava eram loiras de olhos azuis.

Bem, se você chegou até aqui, deve estar com os olhinhos para cima. Mas, faça um esforço e pense um pouco nessas questões aí em cima. Eu entendo que quando a gente está em um lugar de privilégio é difícil pensar nessas coisas. Eu também sou assim com algumas coisas. Mas, tenta vai? É sempre bom entender um pouco mais sobre os assuntos. Eu mesma, talvez mude tudo o que eu escrevi aqui daqui há um ano. E a graça é essa: entender, mudar de ideia (ou não)… entender mais… Só assim a gente evolui.

 

Sobre tirar a responsabilidade do ano novo.

Estamos oficialmente em 2018. O primeiro dia do ano normalmente é um dia que eu gosto muito porque é a prova concreta que as festas de fim de ano se foram e a necessidade de se mostrar feliz e otimista também. E isso é a primeira coisa boa do ano!

Mas, vamos lá. A gente sempre espera alguma coisa do ano novo. Mas, será que o ano  novo não está esperando coisas da gente também? As mensagens que recebemos sempre trazem frases do tipo: “que 2018 traga amor, felicidade, realizações e saúde“. Imagina que louco se a gente tirar, só por um ciclo, a responsabilidade de ter que trazer coisas dos ombros do ano novo e colocar nos nossos? Será que muda alguma coisa? Será que ele não está cansado de ter que trazer tanta coisa para tanta gente? 

Eu parei para pensar nisso porque euzinha deixei nos ombros de 2017 a responsabilidade de realizar inúmeras coisas. Ele até tentou e fez várias coisas legais por mim, mas tantas outras ficaram perdidas pelo caminho. E eu não fiz nada para tentar resgatá-las. Coloquei culpa na crise, na violência, no Temer…

Por isso, decidi dar um descanso ao ano novo e puxar para mim a responsabilidade de trazer a saúde, o emprego, a felicidade e o que mais eu quiser. Eu entendo que é muito mais confortável jogar a batata quente na mão do outro. Mas dizem que é no desconforto que  a gente descobre o quanto podemos ser mais. Vou ali cozinhar as batatas.

Sobre vida, metas e realizações

Todo ano é a mesma coisa: janeiro começa como um caderno em branco e com a maioria de nós fazendo planos para escrevê-lo da melhor forma possível. Só que muitas vezes esquecemos esse caderno em algum canto e só o procuramos quando as primeiras luzes de Natal começam a ofuscar nossos olhos. E aí vem a pergunta: o que fiz da minha vida nesses quase 365 dias? 

Eu posso responder essa pergunta de duas formas: pela razão e pela emoção. Se eu for considerar todas as coisas que eu fiz esse ano, podemos dizer que fui muito bem, obrigada! Viajei e conheci alguns lugares legais, comecei projetos interessantes e tal. Mas, se for considerar o lado emocional, foi um ano bem ruim. A maior parte do tempo, eu passei me esforçando para não ficar desanimada com as coisas. E isso é um desgaste físico muito grande. Um lado do seu cérebro quer que você fique no cantinho, deitada em posição fetal. O outro lado dele, fica mandando você fazer as coisas e não entrar na reclusão. E que coisa difícil, hein? Mas, foi graças a essa força de vontade do lado mais resiliente do meu cérebro, que eu fiz bastante coisa. Não foram aquelas metas que estabeleci lá no começo do ano, mas foram realizações. E só consegui enxergar-las depois que comecei o hábito de anotar todas as coisas interessantes que fiz. Vou fazer um post só sobre isso, mas somente esse ano conseguir mensurar meus feitos. E agora, em dezembro, ao voltar lá na minha listinha do começo do ano, enxerguei que a vida não é engessada. Então, por que que as minhas metas teriam que ser?

Então, se você está nessa fase de não-fiz-nada-nesse-ano-meu-deus, pare por um momento, e liste todas as coisas legais que você fez, desde as mais pequenas até as que você considera grandes feitos. E vai ver que o ano foi feito de momentos incríveis e que o próximo poderá ser melhor do que qualquer tópico perdido em uma lista que nem foi elaborada tão bem assim.

Sobre calouros, veteranos e boas lembranças

Eu adoro tomar trote, vou cantar com alegria porque sou calouro burro, escolhi engenharia. Essa foi a pequena música que eu tive que aprender há mais ou menos uns treze anos atrás quando adentrei na minha primeira graduação e que nunca mais esqueci. Mas Morena, por que você está falando isso DO NA-DA?

Então… hoje, foi mais um dia de evento para recepcionar os calouros do curso de teatro. Eu já estou iniciando o quinto período e já preocupada com estágios e as mil matérias que já batem à porta. Mas, apesar dessas questões, sempre é interessante ver e conhecer os calouros e interagir nesse momento tão especial da vida. A interação foi muito gostosa e divertida. Olhar a carinha de expectativa e os risinhos tímidos, me trouxe uma nostalgia e as boas lembranças que emergiram na minha mente ao lembrar da Morena de 18 anos, toda perdida e feliz ao mesmo tempo ao passar para o curso de engenharia, trouxe uma energia muito boa. Lembrei como se fosse ontem, dos veteranos jogando tinta, cortando as unhas e em como eu estava feliz por participar daquele momento tão peculiar que é a iniciação da faculdade. Tem gente que não gosta dessa interação e eu respeito (pelo menos aqui na minha cidade, os trotes não são violentos. Só um pouco sujos. rsrsr), mas fico feliz de ter passado por isso e por essa etapa ter ficado para mim como um momento especial.

Sabe, cada dia que passa eu percebo mais ainda que o que levamos da vida e o que realmente vale à pena, são os momentos vividos. Por isso, ao estar naquele local ontem, comecei a refletir sobre como precisamos nos policiar para sempre buscar tirar de cada instante de nossa vida, a melhor energia possível. Viajante demais, né? Toda essa reflexão é porque às vezes eu fico aqui… tão desanimada com tudo, que esqueço que posso tirar de cada situação, um aprendizado e uma coisa boa. Por isso, vamos que vamos! Seja bem-vindo quinto período. Seja bem-vindo, outubro.

Primeiras memórias

Esses dias me peguei tentando lembrar qual foi a minha primeira memória. Busquei lá dos confins da minha mente e me deparei com várias mini memórias da minha primeira infância. São lembranças de quando eu morava em uma casa (vivi lá até meus 5 anos). Lembrei de um gato preto de olhos claros em cima do telhado, olhando para mim, lembrei de uma minhoquinha verde que cruzava o chão da garagem e eu ia acompanhando, lembrei da minha cachorra (Joplin, em homenagem à cantora) latindo para mim e eu  morrendo de medo dela… Lembrei de uma babá que me fazia medo… lembrei de uma cena específica em que minha mãe me deitou no sofá, me deu um ventilador desmontado que eu adorava ficar mexendo e foi para a cozinha fazer angú doce para mim enquanto via o Programa do Bolinha (e acho que essa é a minha lembrança mais antiga).

Fazer esse exercício foi bem interessante, pois me fez retomar uma fase muito gostosa que é a nossa primeira infância. E me fez perceber o quanto de coisas que ainda consigo me lembrar. Atualmente estamos tão desconectados de nós mesmos que deixamos passar muitas coisas do nosso dia-a-dia. Fico me perguntando se no futuro eu lembrarei de pequenos momentos vividos na juventude. Cada dia mais vejo em mim uma necessidade de se desconectar do mundo e me conectar mais comigo mesma.

E vocês? Qual a sua mais antiga lembrança?

#BEDA.01 – Vai ter sim! E no susto!

large

Cheguei em casa depois de um longo dia (estudos na faculdade, estudos para concurso e pensamentos sobre o que farei da vida) e percebi que era dia primeiro de agosto! E era exatamente 23h57 quando decidi: vai ter BEDA!

Ah Morena! Mas agora já é dia 02 e não vai dar mais para fazer!”. Então só digo uma coisa (às 0h21): meu BEDA vai ser assim! Desfalcado e capenga! Vamos ver no que dá! Se vai dar certo, se vou cumprir, se serão posts ruins ou incríveis… eu não sei! Mas, pelo menos será uma forma de eu organizar as idéias e tentar fazer algo diferente.

Até mais tarde! ^_~