10 coisas para você, pessoa branca, refletir sobre as questões raciais

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Foto: Pinterest

Hoje é dia 13 de maio de 2018. Exatamente 130 anos de “abolição” da escravatura no Brasil. Esse dia está de longe de ser um dia de comemorações porque falta ainda milhões de anos para evoluir a questão racial no Brasil. Por isso, resolvi escrever 10 coisas para te fazer refletir (principalmente se for uma pessoa branca) um pouco sobre o assunto:

  1. A escravidão não findou em 1888. A minha querida Isabel, assinou um documento e pluft: a escravidão acabou! Os negros estão livres para fazer o que quiser! Mas como? Sem casa? Sem família? Sem posses? Sem estudos?
  2. O preto não foi visto com um igual pela sociedade a partir de 1888. A escravidão pode ter terminado no papel. Mas, você acha que a sociedade na época gostaria de trabalhar como um igual ao lado de pretos? Que seus filhos estudassem com pretos? Que algum preto morasse na casa ao lado?
  3. Mas vocês vivem de passado! Já parou para pensar que se você dividir esses 130 anos em gerações de 25 anos, estaremos entrando na sexta geração? E que na melhor das hipóteses (que provavelmente não foi a realidade), levamos uma geração para a sociedade “aceitar” o negro como cidadão? Então, se fosse esse caso, a gente só começou nossa vida em 1928, praticamente na geração da minha avó e da sua também! Isso é praticamente ontem!
  4. Mas os pretos tem a mesma capacidade que os brancos! Concordo. Desde que estejam nas mesmas condições temperatura e pressão, né? Já parou para pensar que seus antepassados brancos tiveram a possibilidade de estudar desde sempre, enquanto os negros só começaram a pensar na possibilidade à partir de 1888 (de novo: na melhor das hipóteses!!!)? Os brancos tem no mínimo 300 anos de estudo à frente dos negros. Pensa no tamanho da bola de neve que isso se transformou passando pelas gerações… Lembre-se: a cota não é para o cara que “não quer nada com nada”. Mas, para aquele cara que mesmo tirando 10 na escola pública não consegue chegar ao 8 da escola particular de ponta e para aquele que tem seu acesso dificultado nos espaços frequentados pela elite intelectual e econômica, apenas pela sua cor.
  5. Mas os próprios negros são racistas com eles mesmos! Vem cá… pensa rapidinho aqui comigo… em todo esse tempo de  Brasil, o que de bom foi associado aos negros? Sempre fomos fadados à cozinha, aos trabalhos de base e os lugares sem visibilidade. Quinhentos anos de anulação e você quer que a maioria das pessoas negras tenham vontade de ser algo que sempre foi visto como coisa ruim? É um processo árduo para desconstruir o que foi construído nesses 518 anos.
  6. Mas eu sou pobre e sou branco! Ser branco não te coloca automaticamente dentro da classe social mais abastada. Mas, é importante você entender que por mais pobre que você seja, o seu privilégio social te coloca na frente do pobre preto. Por que? Em uma entrevista de emprego, a sua aparência física será mais considerada que a do preto. Fora que não podemos medir uma realidade social individualmente. Eu mesma, tenho curso superior, pós-graduação, sempre estudei em escolas particulares e tive acesso a cursos, como ballet, inglês etc, e sou preta. Mas, eu sou um ponto fora da curva. A maioria das pessoas que tem acesso a essas coisas são brancas. Assim como existem sim, pessoas brancas muito pobres. Mas, também são pontos fora da curva.
  7. Mas eu não sou racista! Tenho vários amigos negros! Beleza, mas já namorou uma menina ou menino negro? E se namorou, ficou apreensivo ao apresentar a pessoa para a sua família?
  8. Que saco! Esses militantes ficam esfregando a cultura negra na nossa cara o tempo todo. Sim, eu não sou militante e as vezes acho chato também (mesmo sendo negra). Mas já parou para pensar que a cultura européia sempre foi esfregada na nossa cara e a gente nunca reclamou? Aliás, a gente acha que lá é muito melhor do que cá, né? Então, por que meia dúzia de pessoas mostrando algo fora disso incomoda tanto? Já parou pra refletir sobre isso?
  9. Ah Morena, você fala isso tudo, mas nem anda com pretos. Mas por que será né? Eu estudei em escolas particulares desde criancinha (maioria branca), fiz ballet e jazz em academia paga (maioria branca), fiz curso de inglês (maioria branca), fiz universidade pública (maioria branca, e os cinco negros que tinham dentro da minha sala, foi por cota, inclusive eu), sou engenheira e trabalhei em um grande projeto (maioria branca nos cargos mais altos)… e por aí vai! Em todos os lugares que passei, eu sempre era uma das poucas pessoas negras do lugar. Quanto mais o negro vai conseguindo ascender socialmente, mais embranquecendo vai ficando ao seu redor. Já parou pra pensar no porquê disso?
  10. Não sei que tanto privilégios são esses que você fala, se até agora eu não vi privilégio nenhum.  Dando um exemplo rápido: quando uma pessoa branca está dirigindo um Honda Civic, é só mais um dirigindo um carro. Quando um preto está dirigindo esse mesmo carro, possivelmente é o cara que o lavou e está indo devolver, ou então só pode ser traficante. Crianças pretas tem menos chances de serem adotadas que brancas… Se uma pessoa branca entrar numa loja, ela não será seguida… Não lembro de muitas referências negras na TV quando eu era criança. Minha referência de beleza era a Sandy. Era a pessoa mais próxima a mim (ela tinha cabelos pretos). As outras artistas que eu gostava eram loiras de olhos azuis.

Bem, se você chegou até aqui, deve estar com os olhinhos para cima. Mas, faça um esforço e pense um pouco nessas questões aí em cima. Eu entendo que quando a gente está em um lugar de privilégio é difícil pensar nessas coisas. Eu também sou assim com algumas coisas. Mas, tenta vai? É sempre bom entender um pouco mais sobre os assuntos. Eu mesma, talvez mude tudo o que eu escrevi aqui daqui há um ano. E a graça é essa: entender, mudar de ideia (ou não)… entender mais… Só assim a gente evolui.

 

Meu bullet journal de maio

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Esse ano eu decidi fazer um bullet journal por motivos de não gastar meus dinheirinhos com planners e também porque eu tinha um caderno jogado aqui no canto há um tempão e queria dar uma serventia para ele. Não tenho prática de fazer a decoração dp bullet e por isso, os primeiros meses ficaram horríveis. Mas, o de maio eu achei bem ok e decidi postar aqui. Basicamente só deixei o calendário geral e a lista de coisas que tenho que pagar no topo. Fiz umas colagens com umas figuras que tirei de revistas velhas, além de ilustrar umas flores e folhas (estou em um vício de desenhar isso). Achei legal.

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Para as semanas eu to gostando muito dessa forma de diagramação porque otimiza o espaço e dá para colocar as principais atividades de forma organizadinha.

Vocês são do time planner/agenda ou do time bullet journal?

Como eu organizo meus papéis da faculdade

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Quem estuda, não importa se na escola ou faculdade, sabe que os papéis se proliferam feito coelhos. À medida que eu fui fazendo meus cursos, fui aprimorando a minha técnica de armazenamento de apostilas e cópias de livros. Eu detesto deixar as apostilas empilhadas acumulando poeiras. Também não gosto das encadernações convencionais que são molinhas e não dá para colocar na estante.

Daí, no semestre passado tive a ideia de scanear a maior parte dos documentos, principalmente aqueles com poucas folhas, trabalhos e provas. E as apostilas mais importantes, eu decidi fazer uma encadernação com capa dura. A primeira foi essa da foto abaixo:

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Fiz a capa dura com papel paraná, revestida de papel kraft. E para ficar bonitinho, encadernei com wire-o. Depois disso, não quero mais outra coisa. As apostilas ficam direitinho na estante, sem ficarem molengas ou feiosas na estante.

Uma outra forma mais barata de encadernar (o wire-o aqui na minha cidade é meio carinha, para cadernos grandes, custa R$12 reais) é a encadernação com quatro furos e colocar argolas.

Não quero mais outra coisa agora. Todo o meu material fica organizado e bonito.

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Vocês também acumulam muito material de faculdade/escola? Como se organizam?

Checklist de maio e mais uma reflexão sobre ser grato

 

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Maio chegou. Isso quer dizer que faltam 31 dias para junho, ou seja, para finalizarmos o primeiro semestre de 2018. O ano está passando muito rápido ou a gente não está controlando nossa vida? É uma coisa a se pensar. rsrs Mas, vamos ao checklist de maio:

Coisas a fazer durante o mês:

  • Revisar objetivos para 2018 para ver o que ainda pode ser concluído até o meio do ano;
  • Separar roupas, acessórios e objetos para doação;
  • Montar a lojinha de desapegos;
  • Dar massagem no cabelo todos os fins de semana;
  • Anotar todos os gastos do mês;
  • Não tomar refrigerantes este mês;
  • Movimentar a conta do Mimorize;
  • Fazer cartões de visitas;
  • Pensar em uma nova decoração do quarto sem gastar;
  • Começar a montar meu portfólio.
  • Exercitar minha gratidão.

E agora, para finalizar, me deu vontade de escrever um pouco sobre gratidão. É muito legal a gente ter objetivos e metas, mas é tão bom reconhecer as coisas boas que temos na nossa vida e ser grato por isso. Estou falando isso porque hoje, nesse feriado de 1º de maio, acordei com uma notícia triste de que um prédio ocupado por famílias do centro de SP pegou fogo e entrou em colapso. Ao ver as imagens na TV e na internet, comecei a pensar em quão grata eu preciso ser, por ter minha casa, minha saúde, ter condições de correr atrás das coisas, poder estudar, ter comida e conforto. Pensar que existem milhões de pessoas que não possuem nada, e continuar reclamando da minha vida, é no mínimo egoísmo. Quantas famílias a essa hora não devem estar pensando no que fazer para recomeçar. Elas já tinham tão pouco, e esse pouco foi consumido em minutos. Por isso, ao invés de pensar no que ainda não tenho, esse mês vou pensar no que eu tenho. E ser muito feliz por isso. Bom início de mês!

Cabelo colorido não combina com preto?

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Foto: Pinterest

Uma coisa que eu sempre achei legal foi cabelo colorido. Tive meu primeiro contato com cabelos coloridos quando entrei para o IFF (Instituto Federal) aqui da minha cidade para fazer o ensino médio e uma colega de classe pintou o cabelo de azul com papel crepom. Achei o máximo aquilo. Ela era loira, então a cor pegou muito bem e ficou lindo. Lembro que na época pensei: “Meus pais jamais me deixariam pintar o cabelo de azul”. Na verdade, eu jamais pensei em pedir uma coisa dessas, não pela possível resposta negativa, mas por achar que meninas como eu não poderiam usar esse tipo de cor nos cabelos. Para mim, cabelos coloridos só ficavam bonitos em garotas branquinhas e com cabelos lisos. E hoje, refletindo sobre isso, vejo em como a sociedade tira do negro até as coisas mais simples, como pintar o cabelo de forma diferente. Temos sempre que nos contentar com o básico e o discreto.

Hoje, já não posso pintar meus cabelos com cores diferentes se eu quiser continuar na carreira de engenheira (eu sei que aparência não mostra competência, mas infelizmente, o mundo ainda não é desconstruído), mas eu fico tão feliz em ver como a gente não está mais aceitando aquela velha premissa que diz que “negro não combina com isso ou com aquilo”. Negro combina com tudo! Inclusive com cabelos azuis, rosas, cinzas e o que a gente quiser. E por isso, peguei algumas inspirações para quem quer começar a se aventurar pela cores mais alternativas nas madeixas.

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Fotos: Pinterest

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Fotos: Pinterest

Ah! E uma mulher que eu AMO acompanhar e ver em como ela cuida das suas madeixas (mesmo tendo cabelo diferente do dela), é  a Maraisa Fidelis. Ela é uma ótima referência para quem quer começar a cuidar dos cabelos coloridos, principalmente os de tipo 4. Adoro!

E vocês? Gostariam de pintar ou pintam o cabelo de uma cor diferente? E o que acham da questão sobre algumas coisas não combinarem com a cor da pele negra? Comentem!

Infinistante: três coisas que aprendi lendo “Mostre seu trabalho”

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Pois é! Como se já não bastasse a quantidade de coisa que tenho para fazer (trabalhos da faculdade, procura emprego, projeto de extensão, caçar freelas e relatório de estágio), eu inventei de entrar para um clube de leitura! Mas, não é um clube de leitura qualquer: é o Infinistante. Esse projeto foi criado pela Maki, do Desancorando, pela Mel do Serendipity e pela Loma, do Sernaiotto. Ele consiste em escolher um livro para ler por mês e depois compartilhar as suas impressões sobre ele.

O livro escolhido para fevereiro foi o “Mostre seu trabalho”, do Austin Kleon. Confesso que nunca tinha ouvido falar nele até então. Dei uma fuçadinha na net para saber mais sobre ele e descobri que ele é autor de três livros ilustrados e que ele fala sobre criatividade dentro e fora do mundo digital. Confesso que a minha primeira impressão foi muito boa! Ele apresenta o assunto de forma leve e gostosa de ler. A escrita dele não tem aquele tom de cobrança ou de “tem que fazer isso ou aquilo”. Comparo o livro a um encontro e melhores amigos para tomar um sorvete e colocar a conversa em dia.

Ele mostra muita coisa sobre compartilhamento de ideias e de como vender seu trabalho. Eu linkei muito com a questão do ensinar/aprender, assunto que estudo bastante na graduação (para quem não sabe, faço licenciatura em teatro). Mas sem mais delongas, vamos às três coisas que aprendi lendo “Mostre seu trabalho”

  1. Quanto mais você compartilha, mais aprende. Uma passagem do livro que achei sensacional foi: “Se você examinar a história com atenção, muitas das pessoas que consideramos gênios solitários eram na verdade parte de uma ‘cena onde havia apoio, troca, exibição de trabalhos, cópias, roubo de ideias e contribuições também'”.  Ensinar é uma das melhores formas de aprender algo. Além disso, ouvir o que as pessoas tem a dizer traz um conhecimento muito mais profundo do que se você estivesse trancada dentro do quarto fazendo seu trabalho. Quanto mais a gente compartilha, mais pontos de vistas surgem e mais possibilidades para uma mesma coisa aparecem.
  2. Não focar na chegada e sim na caminhada. As pessoas não querem ver somente um bom trabalho, elas querem aprender junto com você, elas querem se sentir parte da criação. E isso causa nas pessoas uma sensação de pertencimento muito legal.
  3. Compartilhe coisas que agregam alguma coisa. Será que vale à pena sair compartilhando tudo a torto e a direito? Será que não poderíamos mandar para o mundo somente coisas que acrescente algo na vida de alguém? Antes de compartilhar algo, pergunte a si mesmo: Isso é útil? é interessante? É algo que me sinto confortável em postar caso meu chefe ou a minha mãe vejam?

Obviamente, o livro é muito mais do que isso. Mas, essas três coisas são as que mais me atravessaram e que me fizeram refletir sobre como eu estou mostrando meu trabalho, ou melhor, Será que eu estou mostrando meu trabalho?

Super recomento este livro, principalmente se você desejar uma leitura fluida, gostosa e uma injeção de motivação. Leia e corre que ainda dá tempo de colocar as ideias em prática em 2018!