#10 – Você está mais preocupado em fazer as coisas direito ou só quer fazer as coisas certas?

 

 

Estou em um momento mais reflexiva da minha existência e isso está me fazendo pensar mais sobre as minhas escolhas e sobre o rumo que tomei e quero tomar na vida. Eu fico muito preocupada em fazer as coisas direito. E isso constantemente se vira contra mim porque eu nunca acho que estou pronta para fazer algo. Sempre penso que não vou conseguir fazer as coisas direito e acabo paralisada. Acho que eu quero fazer as coisas certas, direito. É isso. Essas perguntas dão bug na nossa cabeça!

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O dia que Helio Gurovitz tirou o Diogo Mainardi do posto de mais odiado do meu coração.

A única coisa que temos certeza é que o Brasil está um caos. Isso não temos como negar. As filas gigantes nos postos de gasolina, a banana custando quinze reais e a alface à cinco temers estão aí para sinalizar que sim, há algo de muito errado no paraíso.

Não sou formada em economia, não estudei no MIT (umas das minhas metas de vida), não são especialista em ciências políticas e não possuo uma carreira sólida na comunicação. Eu sou a Morena. Só Morena. E mesmo sendo leiga em política e economia, eu tenho um pouco de noção e consigo mensurar os impactos que essa greve está causando no Brasil. E tentando entender melhor essa turbulência toda, me deparei com uma coluna do Helio Gurovitz, no G1, entitulada “A chantagem dos caminhoneiros“.

Basicamente, este senhor criticou em claras palavras o presidente Temer, o presidente da Petrobrás e todos os que, nas palavras dele, “se vergaram perante a pressão dos caminhoneiros“. E afirma que os grevistas estão incentivando as “outras categorias a adotar a estratégia da confusão“. E ainda não satisfeito, diz que “Em nenhum lugar do mundo, corporações organizadas têm pruridos em tentar submeter o país a suas vontades. Mineiros britânicos enfrentaram durante anos o governo de Margaret Thacther na década de 1980. Ela não se dobrou. Ferroviários enfrentam ainda hoje as reformas do governo Emmanuel Macron na França, com paralisações periódicas. Até agora, ele não se dobrou.

Essa declaração foi o basta para ele conseguir tomar o lugar, antes ocupado pelo Diogo Mainardi,  de mais odiado no meu coração.

Ele ainda diz que “Pouco importa que os preços sejam, segundo a teoria econômica, a forma mais eficaz de regular oferta e demanda – a alta envia a compradores o sinal de que é necessário reduzir o consumo e evita a escassez“. Mas será que essas teorias econômicas funcionam nesse país em que milhões e milhões são desviados todos os anos? E por que nós, o povo, temos que aceitar que somos a parte mais fraca da corrente e deixar com que façam o que quiser com nosso bolso?

Eu não sei se a greve dos caminhoneiros não está articulada com outros interesses. É sempre bom a gente ficar, como diz o ditado, com um olho na missa e outro no padre. Mas, sei de uma coisa: que ela é um ótimo exemplo para mostrar como as profissões de base tem o poder na mão, mas são conduzidos a pensar que não são fortes. E quando alguns se mobilizam para mostrar o poder que eles tem, me vem esse tipo de gente para rotulá-los de chantagistas, baderneiros e mais uma série de coisas. Isso também não é tão estranho, já que quem está em cima precisa anular quem está embaixo. Vai que eles se esclarecem, não é mesmo?

Mas, como disse o senhor Gurovitz, “a vitória dos caminhoneiros só transmite um recado às categorias que tem poder de gerar confusão: de que com essa turma que está no governo a chantagem funciona”.

Se reclamar de todos os abusos que o Governo comete com a população é chantagem, então ok. Que o povo faça cada vez mais chantagem.

10 coisas para você, pessoa branca, refletir sobre as questões raciais

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Foto: Pinterest

Hoje é dia 13 de maio de 2018. Exatamente 130 anos de “abolição” da escravatura no Brasil. Esse dia está de longe de ser um dia de comemorações porque falta ainda milhões de anos para evoluir a questão racial no Brasil. Por isso, resolvi escrever 10 coisas para te fazer refletir (principalmente se for uma pessoa branca) um pouco sobre o assunto:

  1. A escravidão não findou em 1888. A minha querida Isabel, assinou um documento e pluft: a escravidão acabou! Os negros estão livres para fazer o que quiser! Mas como? Sem casa? Sem família? Sem posses? Sem estudos?
  2. O preto não foi visto com um igual pela sociedade a partir de 1888. A escravidão pode ter terminado no papel. Mas, você acha que a sociedade na época gostaria de trabalhar como um igual ao lado de pretos? Que seus filhos estudassem com pretos? Que algum preto morasse na casa ao lado?
  3. Mas vocês vivem de passado! Já parou para pensar que se você dividir esses 130 anos em gerações de 25 anos, estaremos entrando na sexta geração? E que na melhor das hipóteses (que provavelmente não foi a realidade), levamos uma geração para a sociedade “aceitar” o negro como cidadão? Então, se fosse esse caso, a gente só começou nossa vida em 1928, praticamente na geração da minha avó e da sua também! Isso é praticamente ontem!
  4. Mas os pretos tem a mesma capacidade que os brancos! Concordo. Desde que estejam nas mesmas condições temperatura e pressão, né? Já parou para pensar que seus antepassados brancos tiveram a possibilidade de estudar desde sempre, enquanto os negros só começaram a pensar na possibilidade à partir de 1888 (de novo: na melhor das hipóteses!!!)? Os brancos tem no mínimo 300 anos de estudo à frente dos negros. Pensa no tamanho da bola de neve que isso se transformou passando pelas gerações… Lembre-se: a cota não é para o cara que “não quer nada com nada”. Mas, para aquele cara que mesmo tirando 10 na escola pública não consegue chegar ao 8 da escola particular de ponta e para aquele que tem seu acesso dificultado nos espaços frequentados pela elite intelectual e econômica, apenas pela sua cor.
  5. Mas os próprios negros são racistas com eles mesmos! Vem cá… pensa rapidinho aqui comigo… em todo esse tempo de  Brasil, o que de bom foi associado aos negros? Sempre fomos fadados à cozinha, aos trabalhos de base e os lugares sem visibilidade. Quinhentos anos de anulação e você quer que a maioria das pessoas negras tenham vontade de ser algo que sempre foi visto como coisa ruim? É um processo árduo para desconstruir o que foi construído nesses 518 anos.
  6. Mas eu sou pobre e sou branco! Ser branco não te coloca automaticamente dentro da classe social mais abastada. Mas, é importante você entender que por mais pobre que você seja, o seu privilégio social te coloca na frente do pobre preto. Por que? Em uma entrevista de emprego, a sua aparência física será mais considerada que a do preto. Fora que não podemos medir uma realidade social individualmente. Eu mesma, tenho curso superior, pós-graduação, sempre estudei em escolas particulares e tive acesso a cursos, como ballet, inglês etc, e sou preta. Mas, eu sou um ponto fora da curva. A maioria das pessoas que tem acesso a essas coisas são brancas. Assim como existem sim, pessoas brancas muito pobres. Mas, também são pontos fora da curva.
  7. Mas eu não sou racista! Tenho vários amigos negros! Beleza, mas já namorou uma menina ou menino negro? E se namorou, ficou apreensivo ao apresentar a pessoa para a sua família?
  8. Que saco! Esses militantes ficam esfregando a cultura negra na nossa cara o tempo todo. Sim, eu não sou militante e as vezes acho chato também (mesmo sendo negra). Mas já parou para pensar que a cultura européia sempre foi esfregada na nossa cara e a gente nunca reclamou? Aliás, a gente acha que lá é muito melhor do que cá, né? Então, por que meia dúzia de pessoas mostrando algo fora disso incomoda tanto? Já parou pra refletir sobre isso?
  9. Ah Morena, você fala isso tudo, mas nem anda com pretos. Mas por que será né? Eu estudei em escolas particulares desde criancinha (maioria branca), fiz ballet e jazz em academia paga (maioria branca), fiz curso de inglês (maioria branca), fiz universidade pública (maioria branca, e os cinco negros que tinham dentro da minha sala, foi por cota, inclusive eu), sou engenheira e trabalhei em um grande projeto (maioria branca nos cargos mais altos)… e por aí vai! Em todos os lugares que passei, eu sempre era uma das poucas pessoas negras do lugar. Quanto mais o negro vai conseguindo ascender socialmente, mais embranquecendo vai ficando ao seu redor. Já parou pra pensar no porquê disso?
  10. Não sei que tanto privilégios são esses que você fala, se até agora eu não vi privilégio nenhum.  Dando um exemplo rápido: quando uma pessoa branca está dirigindo um Honda Civic, é só mais um dirigindo um carro. Quando um preto está dirigindo esse mesmo carro, possivelmente é o cara que o lavou e está indo devolver, ou então só pode ser traficante. Crianças pretas tem menos chances de serem adotadas que brancas… Se uma pessoa branca entrar numa loja, ela não será seguida… Não lembro de muitas referências negras na TV quando eu era criança. Minha referência de beleza era a Sandy. Era a pessoa mais próxima a mim (ela tinha cabelos pretos). As outras artistas que eu gostava eram loiras de olhos azuis.

Bem, se você chegou até aqui, deve estar com os olhinhos para cima. Mas, faça um esforço e pense um pouco nessas questões aí em cima. Eu entendo que quando a gente está em um lugar de privilégio é difícil pensar nessas coisas. Eu também sou assim com algumas coisas. Mas, tenta vai? É sempre bom entender um pouco mais sobre os assuntos. Eu mesma, talvez mude tudo o que eu escrevi aqui daqui há um ano. E a graça é essa: entender, mudar de ideia (ou não)… entender mais… Só assim a gente evolui.

 

Primeiras memórias

Esses dias me peguei tentando lembrar qual foi a minha primeira memória. Busquei lá dos confins da minha mente e me deparei com várias mini memórias da minha primeira infância. São lembranças de quando eu morava em uma casa (vivi lá até meus 5 anos). Lembrei de um gato preto de olhos claros em cima do telhado, olhando para mim, lembrei de uma minhoquinha verde que cruzava o chão da garagem e eu ia acompanhando, lembrei da minha cachorra (Joplin, em homenagem à cantora) latindo para mim e eu  morrendo de medo dela… Lembrei de uma babá que me fazia medo… lembrei de uma cena específica em que minha mãe me deitou no sofá, me deu um ventilador desmontado que eu adorava ficar mexendo e foi para a cozinha fazer angú doce para mim enquanto via o Programa do Bolinha (e acho que essa é a minha lembrança mais antiga).

Fazer esse exercício foi bem interessante, pois me fez retomar uma fase muito gostosa que é a nossa primeira infância. E me fez perceber o quanto de coisas que ainda consigo me lembrar. Atualmente estamos tão desconectados de nós mesmos que deixamos passar muitas coisas do nosso dia-a-dia. Fico me perguntando se no futuro eu lembrarei de pequenos momentos vividos na juventude. Cada dia mais vejo em mim uma necessidade de se desconectar do mundo e me conectar mais comigo mesma.

E vocês? Qual a sua mais antiga lembrança?

O tempo e as realizações

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No próximo dia 25 irá estrear o filme brasileiro chamado Cora Coralina – Todas as Vidas, que conta a história da escritora brasileira que era doceira e publicou o seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Fato este, que não a impediu de se tornar uma das autoras mais importantes da literatura brasileira.

Eu gosto da Cora desde criança, e confesso que no começo era porque eu achava o nome dela bonitinho (Cora Coralina). Mas, foi na adolescência que li realmente alguns de seus poemas e achei incrível. Além do fato de ter descoberto que ela publicou seu primeiro livro já bem idosa. Mas Morena, porque você decidiu escrever sobre isso agora?

Ultimamente ando refletindo muito sobre a vida, sobre a questão das realizações e o peso desnecessário que colocamos sobre os nossos ombros dia-a-dia. A minha geração, a tão falada Geração Y, quer tudo para agora: ser gerente aos 25, o primeiro milhão aos 30, casa, carro, viagens, filhos, família… Infelizmente, essa situação “ideal” não se concretiza na maior parte das vezes, transformando as pessoas em seres frustrados e de mal com a vida, com a certeza de que são perdedores e sem importância.

Quanto mais o tempo passa, mais tenho a confirmação de que tudo na vida vem na hora certa e que aquele sentimento de pressa que todos nós temos só serve para frustrar e nos levar para trás. Não adianta realizar só para dar um check na lista da vida. É preciso aproveitar de forma plena, tendo consciência de cada ação e momento. Enxergar os erros e acertos, aprender com os outros, nutrir boas relações e fazer das suas ações uma ferramenta que possa fazer uma real diferença na sua vida e das pessoas ao seu redor. Se a Cora pensasse assim como nós da geração Y, ela hoje teria reconhecimento?

#8 – Se a expectativa média de vida humana fosse de 40 anos, você estaria vivendo sua vida de outra maneira?

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Imagem: We heart It

Acredito que não! Seria a mesma coisa. As coisas só iam começar mais cedo! Começar a trabalhar e formar uma família, por exemplo, seria com 13 ou 15 anos. Agora, se eu descobrisse que iria viver até os quarenta, lógico que tentaria realizar o máximo das minhas ambições. Teria uma motivação para ficar mais focada nos objetivos. A gente sempre acha que tem a vida toda pela frente e, às vezes, procrastina.